Estudo de transfusão do líquido céfalo-raquidiano
O estudo da transmissão do líquido céfalo-raquidiano foi realizado em 1972 e publicado em 1974 (GRUPO DE PESQUISA DE ANESTESIA POR ACUPUNTURA, 1974). Este estudo demonstrou que o efeito da analgesia por acupuntura obtido em um coelho poderia ser transferido para um outro coelho através da transfusão do líquido céfalo raquidiano (LCR). Esta foi a primeira evidência cientifica que sugeria o mecanismo neuro químico como mediador da anestesia por acupuntura. Esse achado desencadeou uma série de estudos para explorar o papel dos neuro transmissores centrais na mediação da analgesia por acupuntura, entre eles a serotonina (HAN et al., 1979;XU et al., 1994b) e as catecolaminas ( HAN et al., 1979b). De fato, os agentes químicos que aumentam a disponibilidade de serotonina na fenda sináptica, como por exemplo a clorimipramina, potencializam de modo significante a analgesia por acupuntura em procedimentos operatórios com extração dentária.
Liberação diferencial de peptídeos opiáceos no SNC pela eletro-acupuntura de frequências diferentes
Um dos mecanismos mais importantes da analgesia mediada pela eletro-acupuntura é a aceleração na liberação de peptídeos opiáceos no sistema nervoso central que interagem com receptores opiáceos na indução de um efeito anti-nociceptivo. O principal achado foi o de que a eletro-acupuntura de 2Hz deflagra a liberação de encefalinas e de beta endorfina do cérebro e na medula espinhal, que interagem nos receptores opiáceos ?s e d no sistema nervoso central, enquanto que a estimulação de 100Hz seletivamente aumenta a liberação de dinorfina na medula espinhal para interagir com os receptores opiáceos k no corono posterior da medula espinhal (HAN; WANG;1992). Este fenômeno originalmente demonstrado em ratos e coelhos também foi evidenciado em humanos (HAN et al., 1991). Novos estudos revelam que quando baixas (2Hz) e altas (100Hz) frequências são utilizadas consecutivamente com duração de 3 segundos, então todos os três tipos de peptídeos opiáceos (encefalinas, endorfinas e dinorfinas) podem ser liberadas simultaneamente. A interação sinergística entre esses três peptídeos opiáceos endógenos produz um efeito analgésico mais potente (CHEN; HAN, 1992 e CHEN et al., 1994). Estudos recentes revelam que a estimulação de 2 e 100 Hz utilizam diferentes vias nervosas para mediação do seu efeito analgésico (GUO et al., 1996 a; 1996 b; HAN; WANG 1992).
Tolerância à eletro-acupuntura durante estimulação prolongada
A duração ótima da estimulação por eletro-acupuntura é de 30 minutos, período de indução necessário para o desenvolvimento pleno da analgesia por acupuntura em humanos. Por outro lado, a estimulação por mais de uma a duas horas pode resultar em uma redução gradual do efeito analgésico. Isto pode ser comparável com o desenvolvimento da tolerância à morfina quando múltiplas injeções são administradas em curtos intervalos de tempo, daí o termo tolerância à acupuntura (HAN et al., 19981).
Um achado interessante é o de que ratos que se tornaram tolerantes à eletro-acupuntura de 2Hz ainda reagem à de 100 Hz, e vice e versa. Isto é compreensível porque a analgesia por 2Hz e 100 Hz são mediados por tipos diferentes de receptores opiáceos. Os do tipo m e s são ocupados pelas encefalinas e pelas endorfinas nos estímulos de baixa frequência, e receptores Kapa pela dinorfina na eletro-acupuntura de alta frequência (CHEN.; HAN, 1992). Os mecanismos para o desenvolvimento da tolerância por acupuntura são vários:
1. Nas seções repetidas de eletro-acupuntura aceleram a liberação de peptídeos opiáceos que deflagam a auto regulação da expressão gênica dos seus receptores em áreas cerebrais identificadas (WAN et al.).
2. A liberação de uma grande quantidade de peptídeos opiáceos no SNC induz à liberação de um outro neuro peptídeo, o octapeptídeo colecistoquinina (CCK-8), que antagoniza o efeito dos primeiros (ZHOU et al., 1993 a, 1993 b). Realmente, o desenvolvimento de tolerância à eletro-acupuntura pode ser postergado pela administração central de um antagonista do receptor de CCK denominado L-365260, ou por um anticorpo contra a CCK.
Maus respondedores X bons respondedores para analgesia por acupuntura
Quando um grande grupo de ratos, maior do que 100, recebe uma sessão padronizada de eletro-acupuntura, nota-se facilmente uma distribuição bimodal do seu efeito analgésico. Um grupo demostra um aumento na resposta de retirada do rabo em não mais que 50% (maus respondedores) e o outro demonstra o aumento de latência da retirada do rabo de 50% a 150% (bons respondedores). Esse fenômeno é reprodutível, em pelo menos dois dias. Interessante notar que os maus respondedores para a eletro-acupuntura também o são para pequenas doses de morfina (3mg/kg) e vice- versa ( TANG et al., 1997).
Os mecanismos envolvidos podem ser demostrados de duas maneiras: uma baixa taxa de liberação de peptídeos opiáceos no SCN e uma alta taxa de liberação de CCK- 8 que é um potente anti-opiáceo. Um rato mau respondedor pode se tornar um bom respondedor pela injeção de RNA anti-soro para CCK intra cerebral com o objetivo de bloquear a expressão do gene codificado para CCK (TANG et al., 1997). Outra maneira é a administração de um antagonista do receptor de CCK-8 (L365260) ( TANG et al., 1996). Por outro lado, uma raça de ratos dominados P77 PMN, que são altamente susceptíveis à altura audiogênica, são bons respondedores à analgesia por eletro-acupuntura Estes ratos apresentam altos níveis de beta-endorfina e um baixo nível de CCK no SNC (ZHANG et al., 1992). Além disso, o balanço dinâmico entre os peptídeos opiáceos e os peptídeos anti-opiáceos no sistema nervos central parece ser o fator mais importante na determinação da efetividade analgésica da eletro-acupuntura
Deve ser enfatizado, entretanto, que a CCK-8 é apenas um dos membros da família dos anti-peptídeos opiáceos. Um novo membro foi recentemente descoberto e é denominado orfanina (OFQ), um peptídeo de 17 aminoácidos. O fato da OFQ funcionar com um outro mecanismo auto-regulador da analgesia por eletro-acupuntura é evidenciado por um achado recente de que o bloqueio na sua expressão gênica pela administração de um RNA anti-soro OFQ produz um aumento dramático na analgesia induzida pela acupuntura (TIAN,XU, GRANDY, HAN< ABSTRAPTI para o 1996 International Narcotic Research Conference, 2 a 15 de julho de 1996 Long Beach, USA).
Os mecanismos do efeito anti-opiáceos da CCK-8
Amplas evidências têm sido obtidas para demonstrar que a CCK-8 desempenha um controle de retro-alimentação negativo para a analgesia por opiáceos. A elevação dos níveis de opiáceos que geram a transcrição gênica, a síntese proteica e a liberação do peptídeo CCK, restringindo a analgesia excessiva pelo opiáceo (HAN, 1995a). uma série de estudos foram conduzidos para explorar o seu mecanismo de
ação molecular (HAN, 1995b:
1. A ligação entre receptores opiáceos e CCK:
CCK-8 demonstrou diminuir o número e a afinidade dos receptores opiáceos, evidenciado pela redução Bmáx e um aumento da Kd no receptor ligante.
2. Há evidências diretas que demonstram a supressão do opiáceo de correntes de cálcio de portões de alta voltagem pode ser revertida pela CCK-8, indicando que a interação opiáceo/CCK ocorre na membrana de um e do mesmo neurônios (LIU et al., 1995.,XU et al., 1996).
3. CCK-8 parece induzir o desacoplamento de receptores opiáceos de suas proteínas relevantes G, dessa forma interferindo na transdução dos sinais transmembrana induzido pelos peptídeos opiáceos (ZHANG et al., 1993) a ativação pela CCK-8 do sistema de sinalização do fosfoisosiitídeo (FI) no sistema nervoso central (ZHANG et al., 1992), que aumenta a concentração de cálcio livre intracelular pela mobilização de armazenamentos de cálcio livre intracelular (WANG et al., 1992).
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olá, gostaria de saber em que situação se estimula com 10hz e 50 hz, pois comprei um eletroestimulador para detecção de pontos auriculares e ele também serve para estimulação e não sei como usá-lo. grata.
Infelizmente não uso eletroestimuladores, por isso não sei lhe dar esta resposta.