Talassoterapia – Parte final | Zhen Jiu

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Acupuntura e Terapias Holísticas

Nov

19

Talassoterapia – Parte final

By Alessandro

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Quinton morreu em 1925 e caiu rapidamente num esquecimento difícil de explicar. O Dr. Louis Bagot, por sua vez, faleceu em 1941. Nessa época só havia na França dois estabelecimentos de talassoterapia: um em Marselha e outro em Luc-sur-Mer.

Em 1950, um jovem médico, o Dr. Georges de La Farge, percebeu que os alemães aprenderam a lição dada pela França. Criaram, no mar do Norte e no Báltico, uma rede muito importante de balneários. Praticante do termalismo, La Farge estudou a talassoterapia e publicou, em 1952, um projeto de Instituto de Bio-Climatologia para Cannes, cujo método de tratamento principal seria a cura marinha.

Na mesma época, os filhos de Louis Bagot, entre os quais dois são médicos, esforçaram-se para reconstruir o Instituto Marinho. Em 1953, o Instituto foi aberto durante um mês e, no ano seguinte, durante o verão inteiro. Em 1955 a talassoterapia foi descoberta pela imprensa e voltou à moda.

A utilização da água do mar quente, que está na base do tratamento, suscitou muito ceticismo entre a classe médica. Por que razão a água do mar teria virtudes maiores quando aquecida? A resposta dos especialistas é a seguinte: “Os elementos constitutivos da água do mar exercem sua ação de duas maneiras: pelas modificações químicas que produzem ao se dissolver direta-mente no organismo e pela sinergia de suas relações . . . Os sais minerais contidos na água do mar possuem funções vitais. A existência de um metabolismo mineral normal depende da ação harmoniosamente coordenada destes diferentes sais . . . Uma ruptura do equilíbrio iônico significa uma doença que só pode desaparecer se restabelecermos o equilíbrio comprometido.”

Trata-se, essencialmente, de um efeito de catálise muito semelhante à oligoterapia do Dr. Jacques Ménétrier. A água do mar contém todos os corpos raros ou oligo-elementos. No banho quente, a pele se encontra em estado de vasodilatação, torna-se uma vasta mucosa aberta a todas as trocas, e os catalizadores podem operar então exatamente como fazem no sistema criado por Jacques Ménétrier.

Em 1936, o americano Zobell constatou a ação bactericida da água do mar. De 1946 a 1950, os franceses Heim de Balzac, Bertozzi e Goudin demonstraram esse poder antibiótico sobre bactérias de origem entérica, transmitidas por águas poluídas. O Dr. La Farge tentou fazer experiências com água do mar fresca, porque o poder antibiótico desaparece após o quarto dia. Suas injeções não excediam jamais 25 cm3 e, em nossas conversas, pouco antes de sua morte, ele me confessou sua certeza de que a água do mar fresca era o grande antibiótico do futuro.

Mas o Dr. Nicollet, que experimentou as injeções de água do mar em Roscoff em 1961 e 1962, não está de acordo com as conclusões de seu colega. Ele me escreveu recentemente: “Em nenhum caso a água do mar foi utilizada por suas propriedades antibióticas, mas como modificante do meio interior. Os problemas de técnica terapêutica tornam esse método de um emprego delicado, apesar dos resultados que podemos esperar. Certos acidentes podem ocorrer, apesar de uma filtragem bem feita. Convém alertar as pessoas contra as injeções de água do mar “bruta”, praticadas de maneira in-considerada e sem estudo sério do assunto.” A prudência deve ser mantida. Porque a talassoterapia, por maiores que sejam as esperanças que desperte, é ainda uma ciência embrionária. Seu desenvolvimento exigirá um trabalho a longo prazo que necessitará de um imenso e prolongado esforço de síntese.

As promessas são imensas. Podemos contar com elas? As injeções de água do mar isotônicas foram no passado ou são atualmente utilizadas nas grandes doenças infecciosas da infância, na tuberculose pulmonar, nas perturbações digestivas, dermatoses, doenças da mulher, distúrbios mentais e neuroses, envenenamentos agudos, astenia, insônia, grandes hemorragias, velhice precoce. No que se refere ao tratamento marinho num instituto adequado, menciono as seguintes indicações: artroses e reumatismos sob todas as formas — distúrbios neurovegetativos — certas doenças da mulher — nevralgias — conseqüências de traumatismo e estados de convalescência — excesso de trabalho e esgotamento da vida moderna.

Os autores alemães insistem sobre a eficácia excepcional da cura marinha e fornecem dados estatísticos como prova.. Esses dados não existem na França. Seria necessário um esforço muito grande de pessoas e de idéias para que a talassoterapia se afirmasse solidamente como uma ciência objetiva. Ora, nenhum esforço está sendo feito nesse sentido.

A juventude científica da talassoterapia não impede, de forma alguma, que os alemães, os russos, os rumenos e os americanos mobilizem meios importantes para explorar to-das as possibilidades terapêuticas do mar. Deste mar que devemos proteger igualmente enquanto riqueza essencial. O primeiro critério de uma terapêutica é um critério de higiene. Ora, a poluição marinha, inexistente há algumas décadas atrás, assume pro-porções assustadoras. Em muitos casos, não podemos mais considerar a água do mar como um agente medicinal puro e suficientemente estável.

O perigo da poluição é certo a longo prazo, provavelmente até mesmo num prazo médio, se continuarmos a nos servir do mar como um depósito de lixo. Roger Heim deu um grito de alarme ao mostrar o papel que representava o mar na transmissão em cadeia dos fenômenos da radiatividade. Seu ensaio, que intitulou Berço da Humanidade, o Oceano Será sua Sepultura?, terminava com estas linhas que são sempre atuais: “O oceano deve ser protegido igualmente porque pertence à nossa vida. Ele foi o santuário de onde brotou a primeira chama. Ele continua sendo o meio sagrado e puro que nunca foi contaminado por nenhum germe homicida. Não atiremos água poluída em nossa fonte batismal. Não façamos do Oceano uma fossa negra.”

Caso contrário, quando a talassoterapia chegar à sua maturidade e puder afirmar suas pretensões, não teremos mais recursos naturais para pô-la em prática.

Parte 1

Parte 2

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