A título de hipótese, Quinton formula assim suas constantes originais: meio aquático salino marinho; concentração salina deste meio a 8 gramas por 1.000; temperatura, 44 graus.
Segundo os dados das diversas ciências que consultou, foi nessas condições que a vida apareceu sob a forma de organismo unicelular, e devemos encontrá-las nos organismos superiores, os vertebrados.
Após haver justificado sua lei da constância térmica, Quinton passou à demonstração da hipótese marinha mediante experiências fisiológicas. Praticou a sangria num cão e injetou imediatamente no animal água do mar na mesma taxa de concentração salina do seu meio interior.
Dias depois, o cão manifestou uma exuberância fantástica, como se nunca houvesse gozado de uma saúde melhor. O mesmo resultado se repetiu em cada nova experiência.
Numa outra série de experiências, Quinton injetou nos cães, sem sangrá-los, uma tal quantidade de água do mar que os animais não teriam suportado, caso não houvesse identidade perfeita entre o líquido injetado e os líquidos do organismo. Assim, durante 11 horas, um cão de 10 quilos recebeu 10,4 litros de água do mar sem manifestar o menor incômodo.
Levado por sua paixão de experiência, Quinton injetou, desta vez bruscamente, em 90 minutos, três litros e meio de água do mar num cão que pesava cinco quilos. O pobre animal inchou enormemente, a pulsação caiu, a temperatura baixou, a eliminação renal diminuiu, até que o animal perdeu a consciência e o reflexo da córnea desapareceu. Mas, rapidamente, as funções se restabeleceram. O animal foi solto e saiu andando tropegamente. Onze dias depois, embora tenha passado cinco dias abandonado nos porões, o animal, inteiramente recuperado, manifestou uma alegria e uma exuberância extremas.Para finalizar, Quinton empreendeu um terceiro grupo de experiências. O glóbulo branco vive essencialmente da vida geral do organismo, em contato com cada um dos tecidos. Mas sua delicadeza é tal que não subsiste em nenhum meio artificial: somente os líquidos do organismo o mantêm vivo. Ora, Quinton provou que os glóbulos bran-cos, em todas as espécies de vertebrados que experimentou, inclusive o homem, continua-ram no líquido marinho a apresentar os diversos sinais de uma vida normal.
Posteriormente, graças a uma série de análises e de comparações minuciosas, Quinton forneceu as provas químicas de sua lei da constância marinha. Mas desde já, após suas experiências fisiológicas, ele pode formulá-las dessa maneira: “A vida animal, que surgiu nos mares no estado de célula, costuma manter, para seu alto funcionamento celular, através da série zoológica, as células constitutivas do organismo no meio marinho de origem.”
Para Quinton, toda doença tinha por causa, ou por efeito, uma perturbação físico-química do meio interior. Era natural, portanto, que se fosse introduzida num organismo doente a água do mar, líquido idêntico ao meio interior normal, os resultados seriam benéficos. Ainda uma vez, as experiências confirmaram a intuição do jovem cientista. Os resultados foram surpreendentes, sobre-tudo porque os dois primeiros doentes tratados, e salvos, estavam desenganados pelos médicos. Deveriam, segundo as previsões lógicas, morrer no mesmo dia. Um sofria de tifo e o outro envenenara-se voluntariamente com ácido oxálico. Depois destes resulta-dos espetaculares, Quinton principiou a tratar sistematicamente os doentes em hospitais. A princípio, teve apenas a colaboração de jovens médicos audaciosos. Mais tarde recebeu o apoio de professores que endossaram diversas comunicações feitas por ele.
Entre seus correspondentes havia um jovem médico bretão, o Dr. Louis Bagot, com clínica em Roscoff. Ele foi o primeiro a utilizar a água do mar fresca. Era colhida numa barca por seus filhos, a dez metros de profundidade, com uma garrafa rudimentar. A injeção das doses que aumentavam progressivamente de 5 a 25 cm3 era feita por via intratissular, técnica empregada igualmente por Quinton após haver abandonado as injeções intravenosas. Louis Bagot tratava dessa forma as anemias e as diversas per-turbações do estado geral.
Foi Bagot quem inaugurou em 1899, em Roscoff, o primeiro estabelecimento de banho de mar quente. No Instituto Marinho de Roscoff eram tratadas diversas doenças, especialmente certos tipos de reumatismo. A água do mar quente e duchas de diferentes pressões, Bagot acrescentou massagens e ginástica médica. Ele pode ser considera-do por isso o criador desta segunda forma da talassoterapia que é o tratamento marinho num instituto. Antes de 1914, o termo talassoterapia era bastante conhecido e divulgado , mas unicamente para designar o método marinho de Quinton. Aliás , a criação de dispensários , onde eram tratadas especialmente as crianças acometidas de enfermidades da época , projetou a reputação do cientista no mundo inteiro , de tal forma os resultados foram surpreendentes.
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