Medicina Alternativa

Em uma velha notícia na rede descobri um centro de medicina alternativa que estaria sendo colocado à disposição da população em uma de nossas grandes cidades.

Medicina alternativa. Esse é um nome meio estranho que dá à atividade um ar marginal, outsider. O nome já está dizendo. É uma alternância. Ou você usa uma coisa ou outra. Isso induzia às pessoas a pensar que se você usasse acupuntura, fitoterapia ou homeopatia, por exemplo, só deveria usar isso e prescindir do uso da medicina moderna. Ou ainda, de forma mais radical, abandonar o uso de medicamentos durante o tratamento com o “médico alternativo”.

Felizmente o nome vem caindo em desuso. Mas as trocas também não são boas. Um outro nome para essas práticas tem sido “Complementar”. A literatura inglesa inclusive as chama de “Alternative and Complementary Medicine”.

Também é uma bobagem, pois dá a idéia que essas práticas só podem complementar um tratamento convencional.
Tomemos em primeiro lugar o exemplo da acupuntura. Ela pode complementar o tratamento convencional, por exemplo, tratando a dor em uma amigdalite purulenta ou em um câncer terminal. Pode ser apenas sintomática ao tratar os vômitos pós quimiterapia ou a dor em uma artrose grave de joelho.
Por outro lado pode ser alternativa, se você ao invés de tratar uma depressão leve ou moderada com antidepressivos, resolver trocá-los por algumas efetivas agulhadas. Pode também a acupuntura ser a primeira escolha em um tratamento, por exemplo, nas dores miofasciais tão comuns a esta nossa era industrial, de movimentos extremamente repetitivos.

A fitoterapia também casa bem nessa definição. Pode ser sintomática, complementar, alternativa ou primeira escolha como qualquer tratamento químico.

Por algum tempo usou-se a expressão “Medicina não-convencional” ou ainda “não-ortodoxa”, que embora exprima bem a situação não deixa de ser um nome negativo, no sentido literal do termo, já que não explicita o que faz mas antes nega o que vinha sendo feito.

Medicina integrativa é outro termo que vem sendo utilizado na própria literatura médica especializada, principalmente a de língua inglesa, que é a que de fato conta neste planetinha. Embora seja politicamente correta parece que ainda não “pegou”.

Eu mesmo prefiro continuar utilizando a expressão “medicina holística”, pois define muito bem que o importante não é exatamente o tipo de prática que você está usando, mas sim o potencial domínio de técnicas que permitam a utilização daquela mais conveniente no momento, para o seu paciente. Deixa claro, também que você pode ter um pensamento holístico mesmo sendo um cirurgião de quatro costados ou um quimioterapeuta convicto. Do mesmo modo que você pode ser um mau profissional escondido em um discurso nova era.

Infelizmente a expressão “holístico(a)” também tem sido muito vilipendiada. Uns tais terapeutas holísticos, seja lá o que isso for, têm apregoado conhecimentos profundos, esotéricos, e até mesmo muito superiores ao que a ciência moderna pode oferecer. Propõem tratamentos fantásticos, na maioria das vezes provindos de velhos alfarrábios a que só eles têm acesso. Geralmente são contra a medicina moderna e os seus avanços, que geralmente culpam por toda a falta de saúde de seus pacientes.
Não conheço a formação nem a origem desses indivíduos, mas seguramente os invejo pelo conhecimento que trazem.

Post retirado do Reviver Saúde Holística

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