Manual de Biossegurança em Acupuntura – Parte 2

RESÍDUOS

A responsabilidade por resíduos gerados em qualquer ambiente é do gerador, devendo este conhecer a legislação vigente sobre o assunto. Atualmente estão em vigência: Resolução CONAMA 05/93, CONAMA 281/01 e RDC 33/03.

Por definição, resíduos de serviços de saúde são aqueles provenientes de qualquer unidade que execute atividades de natureza médico-assistencial humana ou animal; aqueles provenientes de centros de pesquisa, desenvolvimento ou experimentação na área de farmacologia e saúde, medicamentos e imunoterápicos vencidos ou deteriorados e aqueles provenientes de necrotérios, funerárias e serviços de medicina legal bem como os provenientes de barreiras sanitárias. (RESOL. CONAMA 283/01).

CLASSIFICAÇÃO (RDC 33/03)

GRUPO A (POTENCIALMENTE INFECTANTES) - resíduos com a possível presença de agentes biológicos que, por suas características de maior virulência ou concentração, podem apresentar risco de infecção. Devem ser acondicionados em saco branco leitoso com a simbologia de substância infectante. De acordo com as suas características receberá uma sub-classificação de A1 a A7 e deverão ter tratamentos diferenciados.

GRUPO B (QUÍMICOS) - resíduos contendo substâncias químicas que apresentam risco à saúde pública ou ao meio ambiente, independente de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade e toxicidade. é identificado através do símbolo de risco associado, de acordo com a NBR 7500 da ABNT e com discriminação de substância química e frases de risco . De acordo com as suas características receberá uma sub-classificação de B1 a B8.

GRUPO C (REJEITOS RADIOATIVOS) – são considerados rejeitos radioativos quaisquer materiais resultantes de atividades humanas que contenham radionuclídeos em quantidades superiores aos limites de isenção especificados na norma CNEN-NE-6.02 – “Licenciamento de Instalações Radiativas”, e para os quais a reutilização é imprópria ou não prevista. É representado pelo símbolo internacional de presença de radiação ionizante (trifólio de cor magenta) em rótulos de fundo amarelo e contornos pretos, acrescido da expressão REJEITO RADIOATIVO, indicando o principal risco que apresenta aquele resíduo, além de informações sobre o conteúdo, nome do elemento radioativo, tempo de decaimento, data de geração, nome da unidade geradora, conforme norma da CNEN NE 6.05 e outras que a CNEN determinar.

GRUPO D (RESÍDUOS COMUNS) – são todos os resíduos gerados nos serviços abrangidos por esta resolução que, por suas características, não necessitam de processos diferenciados relacionados ao acondicionamento, identificação e tratamento, devendo ser considerados resíduos sólidos urbanos – RSU. Para os resíduos do GRUPO D, destinados à reciclagem ou reutilização, a identificação deve ser feita nos recipientes e nos abrigos de guarda de recipientes, usando código de cores e suas correspondentes nomeações, baseadas na Resolução CONAMA nº 275, de 25 de abril de 2001, e símbolos de tipo de material reciclável.

I – azul – PAPÉIS

II- amarelo – METAIS

III – verde – VIDROS

IV – vermelho – PLÁSTICOS

V – marrom – RESÍDUOS ORGÂNICOS

Para os demais resíduos do Grupo D deverá ser utilizada a cor cinza nos recipientes.

Caso não seja procedida a reciclagem, poderá ser utilizada a cor preta.

GRUPO E – PERFURO – CORTANTES – são os objetos e instrumentos contendo cantos, bordas, pontos ou protuberâncias rígidas e agudas, capazes de cortar ou perfurar.

Enquadram-se neste grupo: lâminas de barbear, bisturis, agulhas, escalpes, ampolas de vidro, lâminas e outros assemelhados provenientes de serviços de saúde, bolsas de coleta incompleta, descartadas no local da coleta, quando acompanhadas de agulha, independente do volume coletado.

Os materiais perfuro – cortantes devem ser descartados separadamente, no local de sua geração, imediatamente após o uso, em recipientes, rígidos, resistentes à punctura, ruptura e vazamento, com tampa, devidamente identificados, baseados nas normas da ABNT NBR 13853/97 – Coletores para RSS perfurantes e cortantes e NBR 9259/97- Agulhas hipodérmicas estéreis e de uso único-, sendo expressamente proibido o esvaziamento desses recipientes para o seu reaproveitamento. As agulhas descartáveis devem ser desprezadas juntamente com as seringas, quando descartáveis, sendo proibido reencapá-las ou proceder a sua retirada manualmente.

O símbolo que representa o GRUPO E, é o símbolo de substância infectante constante na NBR-7500 da ABNT de março de 2000, com rótulos de fundo branco, desenho e contornos pretos, acrescido da inscrição de RESÍDUO PERFURO-CORTANTE, indicando o risco que apresenta aquele resíduo.

Os resíduos do Grupo E devem ser encaminhados para destinação final em Aterro Sanitário, devidamente licenciado em órgão ambiental competente.

Caso não haja a disponibilidade do tipo de destino final acima mencionado, devem ser submetidos a autoclavação para que haja redução ou eliminação da sua carga microbiana. Neste caso, os resíduos resultantes do tratamento devem ser acondicionados e identificados como resíduos do tipo D.

OBS: No caso dos consultórios de Acupuntura são gerados apenas resíduos do grupo D e E.

 

MEDIDAS DE PRECAUÇÃO

As medidas de precaução têm como objetivo, prevenir a disseminação de doenças seja de um paciente a outro ou de paciente para o profissional de saúde. Já se suspeitava da transmissão de doenças de uma pessoa a outra, mesmo antes da descoberta dos microorganismos, especialmente nos hospitais onde o risco era iminente, por reunir em um mesmo ambiente, pessoas suscetíveis e contaminadas.

O conceito mais antigo que se tem, como medida de prevenção e controle das doenças, é o de isolamento, que surgiu nos EUA em 1881, onde se recomendava separar geograficamente os pacientes. Com a descoberta e o avanço da epidemia de AIDS, surgiram as Medidas de Precaução Universal, que considerava todo paciente de risco, independente do diagnóstico, surgindo também as precauções com fluídos corpóreos. Estas medidas não valorizavam outras vias de transmissão como a aérea, por gotículas e por contato, além do alto custo.

O Center for Desease Control and Prevention (CDC) propôs então a unificação dos dois conceitos, criando as medidas de precaução padrão ou básicas e medidas de precaução específica.

 

MEDIDAS DE PRECAUÇÃO PADRÃO

O principal objetivo é evitar a exposição dos profissionais de saúde a materiais com potencial de transmissão de HIV, HVB, HVC, entre outras patologias. Deve ser utilizada pelo profissional de saúde toda vez que for manipular o paciente independente do diagnóstico de suspeita ou confirmação de doenças.

Deve ser adotada na manipulação de sangue, fluídos corporais, secreção, excreções (exceto suor), pele não íntegra e mucosas.

COMPREENDEM – barreiras de proteção

Higienização das mãos, imunização para hepatite B de todos os profissionais que trabalham em assistência a saúde e uso de equipamento de proteção individual (EPI).

Higienização das Mãos

Tem como principal objetivo, prevenir a transmissão cruzada de microorganismos responsáveis pelas infecções hospitalares, sendo uma prática de grande importância para prevenção de infecções no ambiente. Sua efetividade depende da realização correta da técnica. É importante também, manter a integridade da barreira cutânea.

Para melhor compreender e executar a técnica de higienização das mãos é importante conhecer os conceitos de microbiota residente, microbiota transitória, a definição dos procedimentos utilizados para higienização das mãos, além das soluções empregadas na sua realização.

Devem ser empregados recursos e medidas com o objetivo de incorporar a prática de higiene das mãos em todos os níveis da assistência hospitalar, tais como:

• Dispor de torneiras que dispensem o contato das mãos através do volante ou registro, quando do fechamento da água.

• Dispensador de sabão líquido que evite contato das mãos com o local de saída do produto.

• Papel toalha para secagem das mãos (Não é indicado o uso coletivo de toalha de tecido única ou de rolo, bem como o secador de mãos)

Microbiota Residente

São de difícil remoção mecânica e é composta mais comumente por microrganismos Gram (+) que aderem aos receptores cutâneos, permanecendo na pele por longo período de tempo.

Microbiota Transitória

Permanece na pele por curto período de tempo, por não estarem aderidos aos receptores cutâneos, e é composta por microorganismos Gram (+) e Gram (-), sendo a principal responsável pela ocorrência de Infecções Hospitalares. São facilmente removíveis pela lavagem simples das mãos.

 

PROCEDIMENTOS UTILIZADOS PARA HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS

Lavagem das Mãos – O ato de lavar as mãos com água e sabão, remove mecanicamente a sujidade e reduz a microbiota transitória.

Anti-Sepsia ou Degermação – A anti-sepsia das mãos elimina a microbiota transitória e reduz a microbiota residente.

Uso de anti-sépticos

Os produtos químicos abaixo relacionados poderão ser utilizados para higienização das mãos do profissional e para anti-sepsia da pele do paciente. A escolha do produto fica a critério do profissional, lembrando que para escolha destes produtos, deve se levar em conta o custo e a sensibilidade do paciente e profissional em relação aos mesmos, pois os maiores problemas no uso de anti-sépticos é o ressecamento da pele, dermatites e alergias. O mais indicado para anti-sepsia da pele do paciente antes da colocação de agulhas é o álcool a 70%.

PVP-I a 10% com 1% de iodo livre

Ação: age em Gram (–) e Gram (+), com ação intermediária em vírus e fungos e pouca ação em micobactérias. Tempo de ação residual – 1 a 2 horas

Clorexidina a 2% ou 4 %

Ação: age em Gram (+), vírus e fungos, com ação intermediária em Gram (–) e pouca ação em micobactérias. Tempo de ação residual – 5 a 6 horas

OBSERVAÇÕES: os anti-sépticos acima citados existem na formulação degermante (com sabão), aquoso (tópico) e alcoólico (com álcool. Para antisepsia da pele do paciente é recomendado a formulação aquosa ou alcoólica.

Álcool a 70%

Ação: age em Gram (–), Gram (+), micobactérias, vírus e fungos. Tempo de ação residual – não possui ação residual.

OBSERVAÇÕES: o álcool a 70% pode ser utilizado para substituir a lavagem das mão, ressaltamos porém, que o álcool não elimina a sujidade da pele e não possui ação residual.

O álcool com emoliente (com 2% de glicerina ou na forma de gel) é o mais indicado para anti-sepsia das mãos do profissional de saúde por ressecar menos a pele.

Quando realizar a anti-sepsia das mãos?

• Antes e após a realização de cuidados ou exames com o paciente, entre um paciente e outro e entre as diversas atividades realizadas no mesmo paciente se, nesse caso, houver contato com fontes importantes de microrganismos.

• Antes do preparo de medicação.

• Antes e após o manuseio de dispositivos invasivos.

• Após contato inadvertido com matéria orgânica de qualquer paciente, inclusive através de artigos e superfícies contaminadas.

Regras Básicas

Retirar adereços (anéis, pulseiras, relógios, etc).

As unhas devem estar aparadas.

OBSERVAÇÕES: O uso de luvas não dispensa a lavagem das mãos. Deve ser realizada tantas vezes quanto necessária, durante a assistência a um único paciente.

 

UTILIZAÇÃO DE EPI

PROFISSIONAIS DE SAÚDE - luvas não estéreis, capote impermeável de manga longa não estéril, máscara cirúrgica, protetor ocular, sapato fechado.

A escolha do EPI dependerá do procedimento a ser realizado. No caso da acupuntura para punção dos pontos é necessária somente a luva não estéril.

CUIDADOS A SEREM OBSERVADOS DURANTE A INSERÇÃO DAS AGULHAS

• Manter o material a ser utilizado em campo estéril;

• A ponta da agulha deve ser mantida estéril antes da sua penetração;

• Após a anti-sepsia da pele dos pacientes não palpar o ponto de inserção.

 

MEDIDAS DE PRECAUÇÃO ESPECÍFICA

PRECAUÇÃO AÉREA

Tem como objetivo, evitar a transmissão de patologias transmitidas por micropartículas (partículas < 5μm) que ficam em suspensão no ar por longo período, podendo ser dispersas a longas distâncias. Estas podem ser geradas durante a tosse, fala, espirro ou durante a realização de procedimentos como a aspiração, broncoscopia e intervenções odontológicas.

COMPREENDEM

Obrigatoriamente o quarto privativo com banheiro e pia, que deve ser mantido com as portas fechadas e as janelas abertas. O ideal é quarto com sistema de ventilação com pressão de ar negativa (instalação de exaustor que retira ar do ambiente e lança para o exterior do prédio), com o mínimo de 06 trocas de ar/hora e filtro HEPA (Hight Efficiency Particulate Air –filtro de alta eficiência);

PATOLOGIAS QUE NECESSITAM DESTA MEDIDA DE PRECAUÇÃO – tuberculose, sarampo e varicela.

UTILIZAÇÃO DE EPI

PROFISSIONAIS DE SAÚDE – uso de Máscaras N95 que retêm quantidade igual ou maior que 95% de partículas menores que 5m m; são de uso individual; têm durabilidade de até 3 meses se mantidas secas e íntegras. Não devem ser dobradas.

PACIENTE - uso de máscara cirúrgica quando for necessário que o paciente saia do quarto privativo para realização de exames. Estas máscaras são descartáveis, devendo ser trocada quando úmidas ou rasgadas.

OBSERVAÇÃO: Estando o paciente com a máscara cirúrgica, não há necessidade do profissional utilizar a máscara com filtro N95. Em atendimento ambulatorial, solicitar ao paciente que permaneça com a máscara cirúrgica enquanto este estiver no ambiente.

PRECAUÇÃO COM GOTÍCULAS OU PERDIGOTOS

Tem como objetivo, evitar a transmissão de patologias transmitidas por macropartículas (partículas > 5μm), que ficam em suspensão no ar e percorrem curtas distâncias (até 1m).

PATOLOGIAS QUE NECESSITAM DESTA MEDIDA DE PRECAUÇÃO – meningite, difteria, streptococcus, coqueluche, caxumba, rubéola, adenovírus, parvovírus B19, influenzae etc.

COMPREENDEM

Preferencialmente quarto privativo; caso não seja possível, manter a distância de 1,20 metro entre os leitos.

Máscaras cirúrgicas.

UTILIZAÇÃO DE EPI

PROFISSIONAL DE SAÚDE - utilizará a máscara cirúrgica quando se aproximar à distância mínima de 1 metro do leito do paciente infectado.

OBSERVAÇÃO:. Em atendimento ambulatorial, solicitar ao paciente que permaneça com a máscara cirúrgica enquanto este estiver no ambiente.

PRECAUÇÃO POR CONTATO

Tem como objetivo, evitar a transmissão de microorganismos pelo contato direto através das mãos ou indireto por equipamentos. É a mais importante e mais freqüente via de transmissão das infecções hospitalares.

PATOLOGIAS QUE NECESSITAM DESTA MEDIDA DE PRECAUÇÃO – infecções de pele, diarréias infecciosas, adenovírus, vírus sincicial respiratório, enterovirus etc.

COMPREENDEM

Quarto preferencialmente privativo (com banheiro e pia);

UTILIZAÇÃO DE EPI

PROFISSIONAIS DE SAÚDE - Luvas e avental de mangas compridas não estéreis individuais, por paciente, durante manuseio do mesmo ou de seus utensílios e mobiliários. Retirá-los antes de sair do quarto e lavar as mãos imediatamente.

PACIENTE – Requer o uso de equipamentos individualizados. Não sendo possível individualizar os equipamentos, estes deverão passar pelo processo de desinfecção após cada uso.

OBSERVAÇÃO: Em atendimento ambulatorial a esses pacientes, a roupa de cama deverá ser trocada após a consulta.

 

ACIDENTE COM MATERIAL BIOLÓGICO

O profissional de saúde está constantemente exposto a patologias veiculadas por sangue, tais como AIDS, hepatite B (HBV) e hepatite C (HCV), devendo utilizar as medidas de precaução padrão já referidas anteriormente para todo e qualquer paciente, independente de seu diagnóstico.

Lembramos que a melhor precaução é não se acidentar, ressaltamos alguns pontos importantes para prevenção de acidentes:

• Ter atenção durante a realização dos procedimentos;

• Nunca utilizar os dedos como anteparo durante a realização de procedimento que envolva materiais perfuro-cortantes;

• Nunca reencapar agulhas, entortá-las ou quebrá-las;

• Não utilizar agulhas para fixar papéis;

• Descartar os materiais perfuro-cortantes em recipiente específico (resistentes a perfuração e com tampa);

• Manter os recipientes próximos ao local de realização do procedimento;

• Descartar o recipiente quando 2/3 de sua capacidade for atingido.

 

COMO PROCEDER EM CASO DE ACIDENTE COM MATERIAL BIOLÓGICO

NA PELE:

• LAVAR EXAUSTIVAMENTE COM ÁGUA E SABÃO, O SABÃO ANTISÉPTICO PODE SER USADO.

EM MUCOSA:

• LAVAR EXAUSTIVAMENTE COM ÁGUA OU COM SOLUÇÃO FISIOLÓGICA

Procurar imediatamente um serviço de atendimento (posto de saúde ou unidade de referência)

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