Zhen Jiu

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Acupuntura e Terapias Holísticas

Jul

2

Os Quatro Temperamentos

By Alessandro

A mais de 2000 a.C. Hipócrates já descreveu os quatro temperamentos básicos do ser humano.

Apesar dos avanços da medicina, podemos verificar que eles ainda permanecem bastante atuais:

“Hipócrates  (460 a 370 a.C.) é frequentemente chamado de ‘Pai da Medicina’ (…) ‘O interesse de Hipócrates pelas características do temperamento é notável, especialmente quando se considera a relativa negligência deste importante problema no mundo hodierno da psicologia. Como resultado de suas observações, Hipócrates distinguiu os quatro temperamentos: o sanguíneo, o melancólico, o colérico e o fleumático(…)”

(…) ‘Emanuel Kant, filósofo alemão, foi provavelmente o que mais influência teve na divulgação da idéia dos quatro temperamentos na Europa. Embora incompleta, a sua descrição dos quatro temperamentos em 1798 foi bem interessante: A pessoa sanguínea é alegre, esperançosa; atribui grande importância àquilo que esta fazendo no momento, mas logo em seguida pode esquecê-lo. Ela tem intenção de cumprir suas promessas, mas não as cumpre por nunca tê-las levado suficientemente a sério a ponto de pretender vir a ser um auxílio para os outros. O sanguíneo é um mau devedor e pede constantemente mais prazo para pagar. É muito sociável, brincalhão, contenta-se facilmente, não leva as coisas muito a sério, e vive rodeado de amigos. O sanguíneo, embora não sendo propriamente mau, tem dificuldade de cometer seus pecados; ele pode se arrepender, mas sua contrição (que jamais chega  ser um sentimento de culpa) é logo esquecida. Ele se cansa e se entendia facilmente com o trabalho, mas constantemente se entretém com coisas de somenos – o sanguíneo carrega consigo a instabilidade, e o seu forte não é a persistência.

‘As pessoas com tendência para a melancolia atribuem grande importância a tudo o que lhes concerne. Descobrem em tudo uma razão para a ansiedade e em qualquer situação notam primeiro as dificuldades.

‘Não fazem promessas com facilidade, porque insistem em cumprir a palavra e pesa-lhes considerar se será ou não possível cumpri-la. Agem assim, não devido a consideração de ordem moral, mas ao fato de que o interrelacionamento com os outros preocupa sobremaneira o melancólico, tornando-o cauteloso e desconfiado. É por esta razão que a felicidade lhe foge.

‘Dizem do colérico que ele tem a cabeça quente, fica agitado com facilidade, mas se acalma logo que o adversário se dá por vencido. Ele se aborrece, mas seu ódio não é eterno. Sua reação é rápida mas não persistente. Mantém-se sempre ocupado, embora o faça a contragosto, justamente porque não é perseverante; prefere dar ordens, mas aborrece-o ter que cumpri-las. Gosta de ver reconhecido o seu trabalho e adora ser louvado publicamente. Dá muito valor às aparências, à pompa e à formalidade; é oprgulhosos e cheio de amor próprio. É avarento, polido e cerimonioso; o maior golpe que pode sofrer é uma recusa a obedecerem suas determinações. Enfim, o temperamento colérico é o mais infeliz por ser o que mais provavelmente atrairá oposição.

Fleuma significa falata de emoção e não preguiça; implica uma tendência a não se emocionar com facilidade nem se mover com rapidez, e sim com moderação e persistência. A pessoa fleumática se aquece vagarosamente, mas retém por mais tempo o calor humano. Age por princípio, não por instinto; seu temperamento feliz pode suprir o que lhe falta em sagacidade e sabedoria. Ela é criteriosa no trato com as pessoas e geralmente consegue o que quer, persistindo em seus objetivos, enquanto, aparentemente, esta cedendo aos outros.”

Jun

23

Promoção de aniversário do Zhen Jiu

By Alessandro

Já fez sua inscrição para a promoção de aniversário do Zhen Jiu? Ainda não???

Pois é, no dia 28 de julho estarei completando um ano no ar com o Zhen Jiu, e para presentear os meus leitores, estarei sorteando um mapa de acupuntura sistêmica.

Estarão concorrendo todos os leitores que estão cadastrados para receber as novidades do Zhen Jiu por e-mail e todos os leitores que se cadastrarem até o dia 27 de julho. O sorteio será realizado no dia 28 de julho, dia do aniversário do blog.

Para melhores informações, acessem a página da promoção.

Jun

23

A História da Medicina Complementar e Alternativa – Parte 1

By Alessandro

Começo aqui mais uma série de artigos sobre a História da Medicina Complementar e Alternativa.

O texto foi escrito por James C. Whorton.

Considerações Gerais

É muito recente a noção de medicina complementar, isto é, da possibilidade de se combinar tratamentos, em geral não empregados (ou não reconhecidos) pelos médicos alopatas junto com a terapêutica convencional, equilibrando-a e completando-a.

Antes da década de 1990, as terapias não convencionais eram amplamente disseminadas pelos profissionais de medicina como opostas é incompatíveis com a prática médica científica. O próprio termo alternativa, que vinha sendo usado desde a década de 1970, não era aceito pelos alopatas de gerações anteriores, o que comprometia a respeitabilidade dos medicamentos não alopáticos. Historicamente, os termos preferidos pelos médicos eram medicina irregular, medicina marginal, medicina sectária, ritos médicos e charlatanismo – todos pejorativos.

Conhecer o desenvolvimento histórico da medicina complementar é essencial para a compreensão da orientação filosófica que interliga muitos sistemas de práticas alternativas. Mesmo que um sistema alternativo se declare como cura natural (descrição favorita no jargão do século XIX), cura sem medicamentos (termo popular no início do século XX) ou cura holística (termo adotado desde a década de 1970), a medicina alternativa tem se reconhecido, desde o seu início, no final do século XVIII (antes disso não havia um reconhecimento destas formas de cura, sendo tudo tratado como crendices inócuas) como prestadora de uma abordagem distinta para terapia e para as interações médico-paciente. Essa perspectiva distinta é delineada, ironicamente, a partir dos trabalhos do mesmo médico que os ortodoxos reverenciam como o “pai” da sua medicina: Hipócrates. Dessa forma, pode-se pensar na filosofia médica complementar como a heresia hipocrática.

As origens da Medicina Alternativa

Quando digo que a confiança geral que até aqui existiu na ciência e na arte da medicina [...] foi violentamente abalada nos últimos anos e agora se encontra muito diminuída e prejudicada [...] estou dizendo apenas o que todos sabem ser verdade. A influência que a medicina exercia sobre a mentalidade popular esta enfraquecida; há um ceticismo disseminado sobre seu poder de curar doenças, e encontram-se pessoas em todos os lugares que negam suas pretensões como ciência e rejeitam os benefícios e bênçãos que ela lhes oferece como uma arte.

Essa queixa parece moderna o suficiente para ter sido efetuado nos noticiários da semana passada. Na verdade, ela foi publicada em 1848. Naquela época, como atualmente, o sinal mais claro da erosão da confiança popular na medicina alopática era o rápido crescimento (em relação às duas décadas anteriores) de sistemas rivais que se declaravam mais seguros e mais eficientes do que a medicina convencional. Esses sistemas começaram a aparecer na virada do século, principalmente como protesto contra as sangrias e punções – entre outras medidas heróicas praticadas pelos médicos da época; na realidade, havia mais motivo para revoltas do que somente para insatisfação em relação aos padrões de terapias. Existiam alternativas para os métodos convencionais de cura antes do século XIX; tanto a medicina popular quanto o charlatanismo foram opções durante séculos. Porém, as diferentes versões de medicina alternativa – como eram deliberadamente chamadas mesmo nas primeiras décadas do século XX – formavam um departamento distinto. Elas eram sistemas reais de tratamento. Os praticantes de cada uma – tanto por sua oposição à prática médica, quanto por diferenças na percepção teórica e nos regimes terapêuticos – uniam-se em associações locais, estaduais, até nacionais e, ainda, por meio de publicação de seus próprios jornais e da condução de suas próprias escolas. Essencialmente, as medidas eram profissionalizantes e, no final da década de 1840, essa contracultura médica dominava cerca de 10% do mercado de saúde.